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Rinoceronte

Eu tenho um filho de 7 anos. Ele se chama Caio. Tomamos café da manhã juntos e por hábito o jornal fica espalhado pela mesa. A parte que mais lhe interessa  é o caderno de esporte. Ele é um bom São Paulino e eu  um péssimo corinthiano.
Na segunda-feira um suplemento trouxe na capa uma foto estranha de um rinoceronte com uma camiseta na cara. De relance ele viu aquilo achou engraçado e me perguntou “qué isso?” . Ainda não havia lido.  Curiosos fomos ler. Ele junto continuava a ler com dificuldade as coisas  do futebol do final de semana.
Era sobre o roubo dos chifres dos rinocerontes em museus europeus para depois de serem moidos, vendidos por mais de U$ 200 mil ao mercado negro de afrodiziacos. Claro que resumi dizendo que havia ladrões no mundo que roubavam chifres de rinocerontes.
Ele logo me perguntou se haviam roubado aquele da foto.  Continuei a ler e trágicamente a notícia descreve como os caçadores agiram.  Cortaram seu chifre e o deixaram sangrar até a morte.
Ele imediatamente correu e me abraçou chorando.  Ficamos assim um tempo. De repente saiu correndo. Voltou com um livro que há tempo não liamos.

Naquela noite lemos o velho livro e ele pediu para dormir abraçado com ele.


Protegido: quero doar meus olhos

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Protegido: A mala pronta como um post it

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Protegido: Fim branco

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Certa vez, ainda moleque, ouvi uma discussão entre meus pais sobre a necessidade de trocar o carro da família.

Ele, claro, queria, ela, claro, não.

Para ele, um carro melhor era melhor. Para ela, não com quatro filhos pequenos.

Enfim, cabe aos filhos apenas o final das histórias e então, lá se foi o Fusca em troca do Corcel.

Passeávamos pouco, mas as vezes que saímos até minha mãe pareceu feliz.

Destes tempos conto 3 memoráveis viagens de familia e 16 sucessivos carros na garagem.

As coisas estão melhorando. Ouço tanto isso…

O que será que diria minha mãe? Infelizmente não dirá mais.

Meu pai há tempo não troca de carro. Mas já tem outra mulher.

Eu nunca tive um carro zero, mas tenho um. Ele foi multado no dia 26 de dezembro de 2009 por trafegar sobre a

calçada da praia de São Vicente. Entrei com recurso, claro, porque não faço isso e também nessa data seria impossível. Eu estava

no Hospital Sírio Libanês ao lado da minha namorada desde a véspera de Natal que passou por uma cirurgia às pressas.

Ela teve alta em 3 dias e comemoramos com alívio e carinho.

As coisas estão melhorando. Não acreditaram em mim e o recurso  foi indeferido. (foto)

Enviaram a multa de  R$ 574, 61 por trafegar em calçadas sem nenhuma outra explicação.

É tão revoltante quanto tristem.  Não ser ouvido. Não ser ouvido. Não ser ouvido.

O namoro acabou.

Troco Toyota 2006 Preto  Ar, Dir, completo por Fusca conservado….

Outubro de 2010.  Chapada Diamantina. Bahia. Meio raro eu fotografar mas…

Sempre o fim. Imperfeito, conformado e rendido.
Acho que o fechamento deste doc abre espaço para mudança de temas, abordagens e sobretudo do espírito. Os caminhos, claro, são incertos mas estão todos abertos.

Mas pela ordem. Mal o filho nasceu e já parece abandonado. Claro que não. O que acontece é que cada projeto sugere seu próximo até  mesmo para diálogar com este “discutir a relação”.

Gosto disso. Tivemos um processo interessante na sua produção de Cloaca Maxima. O registro do conflito generalizado das ruas, da equipe, das pessoas. Um conflito nada novo. Deu vontade de descrever o filme como “São Paulo 2009. Cidade-latrina, cidadania de merda, documentário de bosta.” Tudo se repete. Tenho algumas dúvidas mas este foi o fim.

Amores

Essa será uma série. Já rodamos, reformulamos, rebolamos, retomamos, enfim. Espero andar com ela em breve.

Cloaca Maxima

No final do ano passado um amigo, Sérgio Preuss, propôs  produzir um documentário sobre a sujeira em que se encontrava o centro da cidade de São Paulo. Não era a sujeira corriqueira de papelão, lixo, entulho. Era merda e mijo espalhada por ruas e ruas do centro.

Partimos para gravações no final do ano num método bem “jazz” não muito bem visto pela equipe nem pelo proponente. A edição também seguiu o mesmo método. Sessão aberta para palpitar à vontade. “free style”. Foi um pega. Enfim acho que está pronto.

Uma coisa dentro da outra e o registro da desordem. Em breve acho que postaremos ele na internet. Sei lá.

Diálogos

Mais do que reunir imagens, sons e palavras. Acho que a experiência que tivemos no palco com Benjamim, João, Denis e Serginho no dia 1 de agosto de 2010 é para reacender  e inspirar a rota independente que buscamos.   Como diriam os caras são do conceito. Jam de música, free style com Denis e imagens. O tema: a nossa cidade, o nosso entorno, tudo perto.

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