Global Lives Japan

Em 2006 eu conheci David Harris quando ele iniciava a gravação do episódio Brasil do projeto Global Lives. O projeto é uma tentativa de mostrar um panorama do mundo hoje em imagens de diversas pessoas de diferentes localidades do planeta gravadas num período de 24 horas sem interrupção.
No Brasil uma equipe de diversos profissionais se formou e deu forma a vida de Rael da Rima, um rapper de primeira.
Bom, depois de uma fabulosa triangulacão de pessoas atráves da internet e uma rede de conhecidos Irene, Andreina e Nobu no Japão conseguiram armar o Global Lives Japan em menos de 2 meses.
Não foi nada fácil porque a gravação obedece a muitos pré-requisitos e sobretudo tinham que encontrar uma pessoa que se enquadrasse no perfil procurado. Jovem, baixa renda…isso no Japão!!! 
Mas rolou e foi ótimo ainda mais que eu pude participar.
Veja as fotos de Andreina
http://www.flickr.com/photos/soulflow/collections/
www.globallives.org
http://br.youtube.com/watch?v=x-xeUZ5aVSM
Exibição Permanência Mix Roots Osaka

No dia 14 de julho encontramos o povo do Mix Roots. Eles formam uma comunidade de jovens que tem em comum a mistura “étnica” ou a presença de uma raiz cultural além da japonesa.
Às vezes a gente é levado ao um sentimento de comiseração pelos infortúnios dos migrantes brasileiros. Não que não sofram. Sofrem, e muito.
Mas felizmente nesta viagem vimos grupos que trilham caminhos alternativos para a solução de seus problemas. Talvez isso seja aquilo que alguns chamam de tempo.
Mix Roots se reuniu num restaurante para comer, beber e assistir “Permanência”. Juro que na proposta achei impossível de conciliar restaurante e discussão.
Enfim, fomos e foi ótimo. Eu não sei quem negociou como restaurante só sei que depois que saiu último cliente que não fazia parte da turma, Edo-san começou a tirar o quadro de uma parede e ligar o projetor. Diga-se de passagem que o projetor foi tomado emprestado da empresa de um deles sem a devida autorização.
Assistimos e depois um por um contou suas experiências no Japão. Hondurenhas, autralianos, inglesa, coreanos, chineses… são tantas histórias…
Uma coisa é certa. Os brasileiro tem que ouvir a experiência dos coreanos e chineses que já se encontram há várias gerações no Japão.
Exibição Permanência em Takatori
Takatori Community Center é um lugar que eu conheço. Eles fazem parte do documentário. É onde se concentra várias organizações não governamentais sobretudo voltadas aos estrangeiros: AWEP Asian Womens Empowerment Project, Fácil Multilanguage Center, Word Kids Community, Tour de Communication, Leaf Green e NGO Vietnam in Kobe. (http://www.tcc117.org).

A exibição aconteceu no dia 13 de julho e rendeu uma longa discussão e todos os presentes puderam se manifestar. Dois alunos brasileiros trazidos pelo professor da escola japonesa também estiveram presente para colocar suas experiências. Disseram que toda aquela discussão que o documentário trazia era nova e até incompreensível,
eram bem jovens. Disseram ser chamados de brasileiros mas isso para eles não os incomoda e nunca ultrapassou o limite da discriminação.Vivem numa região de poucos brasileiros.

Ouvimos Elza que trabalha na área da saúde colocar diversas questões sobre as atuais condições dos brasileiros depois desses 20 anos de trabalho no Japão.

Pessoas ligadas ao Fair Trade ou comércio solidário também colocaram questões interessantes na mesa. Uma advogada coreana também colocou sua experiência como estrangeira no Japão. Enfim, uma aula para quem se interessa sobre questões interculturais.
Exibição Permanência na Temple University
Dia 12 de julho exibimos “Permanência” na Temple University, uma universidade americana com campus em Tokyo a convite de Irene Herrera, uma professora, fotógrafa e documentarista da universidade. Apresentar em Tokyo foi sempre um desejo por poder levar para o centro da agitação intelectual e artística do Japão questões e trabalhos que tratam de fatos que se passam longe dali na periferia e interior do país. Bra
sileiros??? Onde estão??? Em Tokyo, poucos.
Além disso poder ter contato com estrangeiros que observam e documentam o Japão contemporâneo trás sugestões importantes pra uma reflexão do nosso trabalho.

Irene tem 2 documentários ligados a questão intercultural. Tem também um trabalho belíssimo de fotografia com Nikkeis brasileiros .
Foi bom ver também jovens se dedicando a coisas diferentes como contarei em outro momento sobre o projeto Global Lives.
Informativo: a Temple University mantém uma cópia do documentário “Permanência” na sua biblioteca.
Exibição de Permanência em Mie-Ken

Era um domingo dia 8 de julho de 2007 no meio das férias escolares dos meninos. Estávamos em Kobe e tínhamos o mapa de como chegar ao ponto de encontro marcado em Mie-Ken numa viagem de mais ou menos 2 horas e meia. A adaptacão ao fuso-horário já estava bem após 1 semana no Japão.
Exatamente ao meio-dia chegamos a estação de trem indicada e Shimazu-san, um senhor muito simpático, nos esperava de bermuda, camiseta e sandalhas nos pés. Um susto pela formalidade japonesa tão difundida. Eu mesmo um dia antes estava atrás de roupas novas para a apresentação. Como não tive tempo fui com a roupa que tinha levado, ou seja, calça jeans e uma camisa.
Chegamos ao local de exibição Jin Ken Center e para nossa satisfação era um prédio com a forma do Domo de Hiroshima, local central das discussões dos grupos de direitos humanos da província.
Naquele domingo outros grupos estavam também reunindo em vários outros locais para se discutir questões de educação das escolas publicas da província.
Naquele local o tema da discussão era a questão dos estrangeiros organizado pelo Mie-Ken Gaikoku-jin kyoiku Kenkyukai . Haviam professores e também alunos regulares das escolas públicas japonesas de diversas origens: brasileiros, coreanos, tailandeses, bolivianos, venezuelanos…

Foi a primeira apresentação de “Permanência” que estive presente no Japão e realmente foi emocionante.
A dinâmica foi a seguinte: todos assistimos juntos o documentário mas depois a discussão foi separada entre alunos e professores. Ficamos uma hora com cada grupo e foi bom ouvir o que pensavam a respeito.
Pontos marcantes:
1. Jovens pensando ações coletivas com outras nacionalidades e outras minorias.
2. Intervenções em questões pontuais e práticas como a discriminação de estrangeiros em uma rede de farmácias. Agiram e conseguiram reverter a imagem negativa dos estrangeiros e dessa forma evitar a perseguição velada que ocorria no momento das compras.
3. Ações em empresas para esclarecer quem são os estrangeiros. Gushi um brasileiro que vive há muito tempo no Japão mostra um relatório sobre a imagem distorcida que os funcionários de uma empresa pesquisada tem sobre os estrangeiros.
4. Shimazu-san nos conta sobre a história de luta contra a discriminação dos coreanos.
5. Carlos um colegial muito consciente das responsabilidades motiva os amigos a permanecerem na escola. Conta que seu amigo com 19 anos ainda não sabe fazer uma adição simples e por isso quando vai as fazer compras vai com uma nota de 5 mil. Se por acaso faltar retira produtos no caixa.
Comentei este fato meio escandalizado com a Claudia do CBK e ela me disse que é fato comum entre crianças e jovens brasileiros. Não saberem o mínimo de matemática.
Encontro com Nanako Kurihara.
Jornalista e documentarista ligada ao movimento feminista e a produção independente no Japão, Nanako Kurihara está em fase de finalização do seu novo trabalho sobre os brasileiros que vivem no Japão. Seu trabalho anterior “Looking for Fumiko” mostra a vida depois de 30 anos das líderes feministas dos anos 70 no dias. Gosto muito da intimidade trazida pela diretora.
Percebi no seu novo documentário sobre os brasileiros uma coisa óbvia que realmentre esquecemos. Os japoneses do Brasil não são japoneses. O que? É isso. Quando puderem assistir o documentário irão entender.
Ela gentilmente apresentou a distribuidora de seus filmes no Japão e depois de assistirem “Cartas” e “Permanência” aceitaram distribuí-los também!!! Ótimo, não?
Ela agora está no Brasil. Talvez nos encontremos em breve.