Eu tenho um filho de 7 anos. Ele se chama Caio. Tomamos café da manhã juntos e por hábito o jornal fica espalhado pela mesa. A parte que mais lhe interessa é o caderno de esporte. Ele é um bom São Paulino e eu um péssimo corinthiano.
Na segunda-feira um suplemento trouxe na capa uma foto estranha de um rinoceronte com uma camiseta na cara. De relance ele viu aquilo achou engraçado e me perguntou “qué isso?” . Ainda não havia lido. Curiosos fomos ler. Ele junto continuava a ler com dificuldade as coisas do futebol do final de semana.
Era sobre o roubo dos chifres dos rinocerontes em museus europeus para depois de serem moidos, vendidos por mais de U$ 200 mil ao mercado negro de afrodiziacos. Claro que resumi dizendo que havia ladrões no mundo que roubavam chifres de rinocerontes.
Ele logo me perguntou se haviam roubado aquele da foto. Continuei a ler e trágicamente a notícia descreve como os caçadores agiram. Cortaram seu chifre e o deixaram sangrar até a morte.
Ele imediatamente correu e me abraçou chorando. Ficamos assim um tempo. De repente saiu correndo. Voltou com um livro que há tempo não liamos.
Naquela noite lemos o velho livro e ele pediu para dormir abraçado com ele.


