Permanência em Mie-Ken


Era um domingo dia 8 de julho de 2007 no meio das férias escolares dos meninos. Estávamos em Kobe e tínhamos o mapa de como chegar ao ponto de encontro marcado em Mie-Ken numa viagem de mais ou menos 2 horas e meia. A adaptacão ao fuso-horário já estava bem após 1 semana no Japão.
Exatamente ao meio-dia chegamos a estação de trem indicada e Shimazu-san, um senhor muito simpático, nos esperava de bermuda, camiseta e sandalhas nos pés. Um susto pela formalidade japonesa tão difundida. Eu mesmo, um dia antes, estava atrás de roupas novas para a apresentação. Como não tive tempo fui com a roupa que tinha levado, ou seja, calça jeans e uma camisa.
Chegamos ao local de exibição Jin Ken Center e para nossa satisfação era um prédio com a forma do Domo de Hiroshima, local central das discussões dos grupos de direitos humanos da província.
Naquele domingo outros grupos estavam também reunindo em vários outros locais para se discutir questões de educação das escolas publicas da província.
Naquele local o tema da discussão era a questão dos estrangeiros organizado pelo Mie-Ken Gaikoku-jin kyoiku Kenkyukai. Haviam professores e também alunos regulares das escolas públicas japonesas de diversas origens: brasileiros, coreanos, tailandeses, bolivianos, venezuelanos…

Foi a primeira apresentação de “Permanência” que estive presente no Japão e realmente foi emocionante.

A dinâmica foi a seguinte: todos assistimos juntos o documentário e depois a discussão foi separada entre alunos e professores. Ficamos uma hora com cada grupo e foi bom ouvir o que pensavam a respeito.

Pontos marcantes:

1. Jovens pensando ações coletivas com outras nacionalidades e outras minorias.

2. Intervenções em questões pontuais e práticas como a discriminação de estrangeiros em uma rede de farmácias. Agiram e conseguiram reverter a imagem negativa dos estrangeiros e dessa forma evitar a perseguição velada que ocorria no momento das compras.

3. Ações em empresas para esclarecer quem são os estrangeiros. Gushi um brasileiro que vive há muito tempo no Japão mostra um relatório sobre a imagem distorcida que os funcionários de uma empresa pesquisada tem sobre os estrangeiros.
4. Shimazu-san nos conta sobre a história de luta contra a discriminação dos coreanos.

5. Carlos um colegial muito consciente das responsabilidades motiva os amigos a permanecerem na escola. Conta que seu amigo com 19 anos ainda não sabe fazer uma adição simples e por isso sempre quando vai às compras saca do bolso uma nota alta de 5 mil. Se por acaso faltar retira produtos no caixa.

Comentei este fato com a Claudia Fukumoto do CBK e ela me disse que é fato comum entre crianças e jovens brasileiros. Não saberem o mínimo de matemática.

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Sobre Helio Ishii

Helio Ishii - Diretor, roteirista, produtor e editor.

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